Por comitês unitários da FIT-U em apoio a Myriam Bregman

Na quarta-feira, 27 de maio, finalmente ocorreu a reunião da mesa nacional da Frente de Esquerda-Unidade, algo que não havia sido possível realizar durante longas semanas. Nosso partido, Izquierda Socialista (IS), solicitou-a por escrito, propondo “discutir dois pontos: 1) a proposta dos companheiros e companheiras da direção do PTS que está sendo divulgada publicamente sobre a construção de um “Movimento por um Partido da Nova Classe Trabalhadora” e que até agora não foi trazida pelo PTS a esta mesa e 2) a rebelião operária e popular na Bolívia e quais medidas de solidariedade podemos organizar” (ver izquierda-socialista.org)

A proposta visava realizar uma troca esclarecedora das propostas dos quatro partidos integrantes da FIT-U, buscando o consenso unitário para sair e intervir na nova situação que se abriu com o impacto extraordinário que a camarada Myriam Bregman está causando no movimento de massas. Trata-se de uma simpatia incipiente de milhões de pessoas pela figura de Myriam Bregman como representante da esquerda aglutinada no FIT-U, que vem travando lutas políticas e nas ruas há 15 anos. Um fato altamente positivo.

Nesse contexto, o IS participou da reunião da mesa nacional levando propostas de unidade para conquistar aqueles que manifestam simpatia por Bregman e pelo conjunto do FIT-U. Concretamente, impulsionar comitês do FIT-U em apoio à sua figura, à Frente de Esquerda e por um governo da esquerda e dos trabalhadores e trabalhadoras. Comitês para serem formados de maneira unificada entre os quatro partidos e aqueles que simpatizam, sejam organizações ou lutadores e lutadoras independentes. Esses comitês unitários do FIT-U, liderados pelo apoio a Myriam Bregman, atuariam impulsionando as lutas nacionais e poderiam levar ao movimento de massas o apoio a lutas internacionais, como as da Bolívia ou da Palestina. Ao mesmo tempo, propusemos estar abertos a planejar o debate nesses comitês unitários sobre todas as iniciativas programáticas ou de ação que pudessem surgir.

Infelizmente, a reunião terminou sem que se chegasse a um acordo para impulsionar esses comitês unitários. Isso se deveu ao fato de a direção do PTS ter colocado como condição para integrar os comitês que cada partido (IS, PO e MST) tivesse que aderir explicitamente à sua proposta de “construção de um Movimento por um Partido da nova classe trabalhadora”.

Solicitou-se ao PTS que esclarecesse em que consistia esse projeto de partido, qual seria o papel dos atuais partidos do FIT-U, se eles deveriam se dissolver no futuro em um partido único ou se, por causa disso, o FIT-U deixaria de existir. Em nossa opinião, não houve qualquer esclarecimento, nem oral nem por escrito. Por enquanto, permanece a impressão de que se trata de um projeto partidário para angariar forças para o PTS, em oposição ao FIT-U.

Na prática, é isso mesmo, pois a direção do PTS impõe como condição imediata para integrar os comitês de apoio a Myriam Bregman a adesão à sua política de “construir um partido de trabalhadores”. Mas Bregman não é apenas uma dirigente do PTS, é uma figura que o IS e todos os demais partidos e grupos que aderem à FIT-U respeitamos e apoiamos. A posição de Bregman fortalece toda a esquerda revolucionária. Seu prestígio, muito bem conquistado, faz parte das vitórias e dos avanços da luta política e das lutas que temos travado a partir da FIT-U ao longo de seus longos anos de existência.

Consideramos que opor um possível futuro partido dos trabalhadores ao atual FIT-U é uma abordagem equivocada e divisória. A partir da IS, não concordamos, por enquanto, com a ideia de nos lançarmos na construção de um partido amplo e indefinido dos trabalhadores. Porque ainda não vemos condições para isso. Nós, socialistas revolucionários, sempre consideramos a implementação da tática de um PT, ou seja, um partido amplo de independência de classe, quando se dão duas condições: a combinação do surgimento de correntes operárias ou sindicatos combativos independentes da burguesia, mais ou menos massivos; no nosso caso, seriam correntes fortes que rompessem com o peronismo. A segunda condição é que exista uma forte fraqueza ou quase inexistência de partidos revolucionários. Com base nisso, por exemplo, Leon Trotsky lançou essa proposta nos anos 30 nos EUA, que não chegou a se concretizar. Mais recente e conhecida foi a fundação do PT do Brasil, nos anos 80, baseada na ascensão de novos e massivos sindicatos combativos, como o dos metalúrgicos do ABC de São Paulo, do qual a maior parte das correntes do trotskismo fez parte.

Por enquanto, no país não existem essas duas condições; não há correntes operárias independentes que rompam com o peronismo, nem a esquerda trotskista é marginal. Pelo contrário, existe uma esquerda trotskista muito forte que se agrupa na FIT-U e que começa a impactar milhões de pessoas com a figura de Myriam Bregman. É uma simpatia que ainda não garante que se traduza em votos nem em uma adesão consciente ao programa revolucionário do FIT-U (ver FRENTE DE ESQUERDA E DOS TRABALHADORES “UNIDADE” – ACORDO PROGRAMÁTICO), mas todos nós a valorizamos como o início de uma mudança histórica no país.

Por essas razões, não vemos, por enquanto, a necessidade de impulsionar um novo e ainda incerto partido dos trabalhadores. O que sim consideramos é que é preciso utilizar e valorizar mais a grande conquista que é o FIT-U, reconhecido pela vanguarda lutadora — independentemente de nossos partidos fazerem parte dele ou não — como um imenso feito da unidade da esquerda, algo que nunca foi fácil de alcançar e que conseguimos. Infelizmente, ouvimos na reunião que o PTS começou a desvalorizar essa conquista, dizendo que o “FIT-U ficou para trás” diante do novo, que seria a simpatia das massas por Bregman, que “é apenas uma frente eleitoral” e que “é preciso outra coisa”. Primeiro, não é apenas uma frente eleitoral, é uma aliança política de partidos revolucionários, inédita no mundo, que tem um programa operário e socialista. Segundo, o avanço do FIT-U em suas campanhas eleitorais não é algo insignificante. Pelo contrário, nas eleições, o FIT-U concorreu travando uma enorme luta política contra os partidos patronais e seus sucessivos governos desde 2011, alcançando mais amplamente milhões de pessoas com nosso programa rumo a um governo dos e das trabalhadoras e trabalhadores. E, em terceiro lugar, e fundamentalmente, o FIT-U, seus deputados e deputadas, partidos, grupos, dirigentes sindicais, piqueteros e jovens são aqueles que lutam nas greves, nas marchas universitárias, na área da saúde, ao lado dos aposentados e aposentadas e enfrentando a burocracia sindical.

Entre os exemplos estão a Multicolor La Matanza, liderada pelo FIT-U, que recuperou a seção; há anos dirigimos a Aten Capital em Neuquén; a Ademys na Cidade Autônoma de Buenos Aires; a UEPC-Capital de Córdoba, entre outras; a combativa seção ferroviária de Haedo, liderada por Pollo Sobrero; o SUTNA e a luta pela FATE; e são membros do FIT-U aqueles que vêm liderando a heroica e triunfante luta do Hospital Garrahan. É claro que o IS sempre exige que o FIT-Unidade atue de forma mais unida nas lutas sindicais, estudantis e populares. Mas essas diferenças de critério não invalidam nem colocam em questão o FIT-U. Em todo caso, trata-se de melhorá-lo em conjunto. Se esse terceiro aspecto custa muito e há longos períodos de silêncio e paralisia, foi justamente por causa de certas divisões que se provocam no interior da frente que sempre combatemos. Especialmente por parte da direção do PTS, algo muito sentido pelos e pelas lutadoras e lutadores, que, com seu divisionismo e autoproclamação, ignora, por exemplo, a coordenação do Plenário Nacional do Sindical Combativo, atribui-lhe de forma insólita e falsa “não ter passado no teste com a reforma trabalhista”, quando a traição foi da burocracia sindical da CGT, e trata injustamente os novos dirigentes sindicais combativos, aos quais impõe “práticas burocráticas”.

Além disso, e não menos importante, o FIT-U tem atuado de forma unida em eventos e ações internacionais, por exemplo, no apoio à Flotilha Global Sumud e na denúncia do sionismo e do Estado genocida de Israel. E nas agressões imperialistas de Trump, como ocorreu recentemente com a agressão à Venezuela e ao Irã.

Como é sabido, também temos divergências internas no FIT-U, que são debatidas abertamente, como é tradição entre a esquerda trotskista, sem que isso impeça o cumprimento dos acordos no âmbito do programa comum que nos une.

Mas voltemos à questão em debate e de urgência: como aproveitamos o novo, refletido na excelente colocação de Bregman, para fazer crescer a alternativa política revolucionária e de independência de classe que é a FIT Unidade, frente ao governo de extrema direita de Milei e frente às alternativas burguesas dos dirigentes do peronismo. Nós discordamos, juntamente com outros companheiros e companheiras do FIT-U, que o eixo seja sair para criar um movimento pelo PT, embora respeitemos que o PTS faça sua experiência e tenha esse projeto de construção. É um direito deles. Somos quatro partidos distintos, cada um com suas respectivas táticas e estratégias. Mas o erro é opor isso ao FIT-U, recusando-se a impulsionar e integrar comitês unitários de apoio a Myriam Bregman se a proposta do PTS não for adotada. Essas atitudes divisionistas são preocupantes e têm origem no fato de terem dividido a Frente no comício de 1º de maio. Essas divisões nos enfraquecem diante do governo, da burguesia e da burocracia sindical. Enfraquecem também a própria Myriam Bregman, que deveria ser um fator de unidade e não de divisão entre nós.

Reiteramos a proposta que levamos à reunião da mesa nacional: lançar, como FIT-Unidade, comitês de apoio a Myriam Bregman e por um governo de esquerda e dos trabalhadores e das trabalhadoras. Vamos nos unir – PTS, PO, IS e MST – nessa tarefa. Impulsionando esses comitês em todo o país para reafirmar que a esquerda quer e pode governar. Milhares de comitês abertos a todas e todos aqueles que queiram se juntar, em cada cidade, bairro, sindicato, local de trabalho ou de estudo, seriam uma imensa força de luta e política. Isso fortaleceria a camarada Bregman, o FIT-U, cada um de seus partidos e todas e todos os seus dirigentes e militantes. Seria possível organizar milhares e milhares de pessoas para debater propostas e também para nos dedicarmos de forma unida às lutas operárias, juvenis, de bairro e populares.

Enquanto o debate continua, a Izquierda Socialista impulsionará esses comitês de apoio a Myrian Bregman, ao FIT-U e por um governo da esquerda e dos trabalhadores e trabalhadoras.

 

Comitê Executivo da Izquierda Socialista (IS)

30 de maio de 2026

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