A LUTA DAS MULHERES INDÍGENAS NO PARÁ

Por Mariza Santos, Combativas/PA

Neste mês de abril, o Coletivo Feminista COMBATIVAS do PA organizou uma roda de conversa com as estudantes da UFPA, pautando A LUTA DAS MULHERES INDÍGENAS NO PARÁ, buscando destacar a importância dessas mulheres na defesa dos seus territórios, contra a degradação ambiental e na luta pela educação. As suas ações trouxeram métodos de luta e mobilização que impõem derrotas aos governos estadual e federal e às multinacionais, como foi observado na ocupação da Seduc (2024), em defesa da sua educação; na ocupação da Cargill, na região do Tapajós (2026), em defesa dos seus rios; e na ocupação da Funai, ainda em luta, contra a mineradora Belo Sun.

Na conversa, relembramos essas principais lutas ocorridas no Pará e que marcaram o protagonismo e a força dessas mulheres. Em 2024, a luta foi em defesa da educação, iniciada com a ocupação da Seduc/PA por cerca de 300 indígenas de várias etnias. Na pauta estava a revogação da Lei 10.820/23, que substituía o Sistema Modular Presencial pelo ensino via EAD nas regiões mais remotas (indígenas, ribeirinhos e quilombolas). A lei foi revogada após: 30 dias de ocupação; greve dos professores estaduais; ataques do governo Helder Barbalho; intervenção da ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. A revogação foi uma grande derrota para o governo Helder Barbalho.

Já em 2025 e 2026, a força da sua luta e protagonismo foi em defesa do meio ambiente e dos seus territórios. Os povos indígenas, com as mulheres à frente, tiveram presença marcante na COP 30, pois, através de atos e ocupação da Blue Zone, denunciaram a política da COP 30 e do próprio governo Lula, com favorecimento ao agronegócio e às mineradoras. Firmaram sua posição contra a privatização dos rios e a Ferrogrão, contra a exploração de petróleo e a venda de carbono da floresta. Dando continuidade, em 2026, os indígenas do Baixo Tapajós ocuparam a entrada da sojeira estadunidense Cargill, para forçar o governo Lula a revogar o Decreto 10.600, que privatizava os rios Tapajós, Tocantins e Madeira. Foi uma grande vitória contra a multinacional que pretendia tomar os rios para si.

E agora acompanhamos a luta das mulheres indígenas do Médio Xingu contra a Belo Sun, empresa canadense que pretende minerar ouro na região, desconsiderando a importância dos povos e do meio ambiente. Elas ocuparam a Funai/Altamira por mais de 30 dias.

Durante a roda, destacamos a força ancestral que essas mulheres carregam em seus DNAs na luta pela sobrevivência, marcadas pela história de colonização, perseguição e violência, e que, por isso, buscam respostas concretas nas suas lutas. Não confiando em governos, nem nas direções e organizações dos seus próprios povos que não estiveram juntos nas lutas (MPI, APIB), confiam apenas na força da sua luta ancestral pela sobrevivência!

VIVA A FORÇA DE LUTA DAS MULHERES INDÍGENAS!

Por demarcação, já! Não à Ferrogrão! Fora Belo Sun!

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