Fortalecer e massificar a greve da USP com a unidade das estaduais paulistas! Queremos PAPFE, bandejão e CRUSP dignos, fim da PM no campus, cotas trans e PCDs e vestibular indígena!

(o presente texto é uma construção coletiva e está em aberto para acréscimos e modificações. ele está em debate na greve da USP e reflete as batalhas de ativistas independes e da juventude vamos à luta, centralmente da base do IAG e FE; disponibilizamos a leitura aqui em nossa impressa eletrônica e colocamos nosso jornal, o Combate Socialista, a serviço dessas reflexões e desse combate da juventude revolucionária da USP. será atualizado em breve. boa leitura!)

 


 

Fortalecer e massificar a greve da USP com a unidade das estaduais paulistas! Queremos PAPFE, bandejão e CRUSP dignos, fim da PM no campus, cotas trans e PCDs e vestibular indígena!

Após a forte marcha do dia 20/05: construir nova jornada de lutas unificada! Nacionalizar a luta de São Paulo!

Introdução: No dia 26/05 completamos um mês e meio de greve na USP. De lá para cá, a luta dos estudantes tem se confrontado diretamente com o projeto privatista e antieducação da extrema direita bandeirante do governador Tarcísio, o prefeito Nunes e o DESreitor Aluísio Fujão. Mobilizamos curso a curso, ocupamos a reitoria, enfrentamos a violenta repressão da Polícia Militar, inundamos as ruas de São Paulo. Nos unificamos com as greves da Unesp e da Unicamp. Agora, os professores da USP, influenciados pela luta estudantil, deflagraram greve. O SINTUSP, que realizou uma greve vitoriosa, também nos apoia. É hora de manter firme a luta para arrancar nossos direitos: PAPFE de um salário mínimo, bandejão digno, ampliação das vagas e reforma do CRUSP, fim da PM no campus, cotas trans e para PCDs e vestibular indígena, dentre outras. Massificar o movimento na USP, nas estaduais paulistas, e coordenar ações com demais categorias para ter vitórias em nossas pautas. Unificar as lutas no estado de SP, numa jornada de mobilização, para derrotar a extrema direita nefasta, aliada de Trump. O presente texto é uma proposta construída coletivamente entre ativistas independentes e a juventude revolucionária Vamos à Luta e reflete as batalhas cotidianas na greve da USP. Para nos organizar melhor e poder vencer, arrancando nossas pautas, queremos abrir o debate com todes, todas e todos que dividem as trincheiras conosco. 

O que fazer pra vencer? 

“O hoje é real
É a realidade que você pode interferir
As oportunidades de mudança
Tá no presente” 
Racionais MCs

 

É preciso fortalecer a greve na USP e a greve unificada em todas as estaduais, para ampliar e massificar o movimento. Evitar que instituições e cursos abandonem a greve. Convencer para essa luta os cursos que ainda não entraram em greve e realizar ações para manter ativos e na greve os cursos que já conseguiram algumas pautas locais e onde há pressão pelo fim da greve. O movimento central que devemos fazer é esse: panfletagens, rodas de conversa da greve, passagens nos setores, piquetes de convencimento para ganhar a maioria da universidade para a greve pelas nossas reivindicações: a bolsa, o bandejão, cotas, vestibular e pautas específicas de cada local e outros temas como as reivindicações feministas. Por outro lado, conquistar o apoio de trabalhadoras terceirizadas e terceirizados para a nossa luta e apoiar suas pautas de reivindicações, como a do BUSP para terceirizadas. Nossas universidades não são compostas por 3 segmentos, mas sim por 4 e devemos considerar essa realidade (unir as lutas de estudantes, técnicos, docentes e terceirizadas). Por isso propomos:

  • Construir um comando de greve e mobilização unificado da USP e fazer o mesmo em cada curso envolvendo DCE, CAs, DAs, SINTUSP e ADUSP e convidar as trabalhadoras terceirizadas.
  • Construir um comando unificado de greve e mobilização das estaduais paulistas com representantes eleitos nas assembleias de cada um dos quatro setores que compõem as universidades.
  • Procurar os principais intelectuais e artistas do país para realizar uma audiênciAto – com uma aula pública e festival de música e poesia em frente a reitoria na próxima semana.
  • USP – território livre da PM; fim da PM do campus. Transformar a “academia” da PM num museu contra a ditadura em homenagem aos estudantes, servidores e professores torturados e assassinados pela ditadura. 
  • Devolução dos documentos, remédios, dos ativistas que ocuparam a reitoria; ressarcimentos dos bens roubados ou destruídos pela Polícia. Denúncia firme dos crimes da PM nos órgãos competentes; arquivamentos dos inquéritos e nenhuma retaliação institucional por parte da reitoria e dos institutos ou faculdades.

 

Eu faço  greve, piquete ocupação, tô na rua defendendo educação

“eles vêm
 com seu barulho maravilhoso 
eles vêm
 armados de simpatia
...lá se vêm o mundo todo 
como é todo aquele que não sabe 
de onde vem”
Sophia Chablau

 

Nós que atuamos cotidianamente na construção dessa greve na USP, sobretudo no IAG e FE, avaliamos que, com os métodos históricos do movimento estudantil, ela abre caminho para a nova geração que vai lutar por uma universidade a serviço da classe trabalhadora e, principalmente, tem chances de ser vitoriosa e arrancar a política de ingresso e permanência de trabalhadores e setores populares na Universidade de São Paulo. Em nossa visão, trata-se de um novo momento do movimento estudantil em nível nacional, que já está influenciando o clima das universidades federais e vai forjar uma nova geração combativa na base das nossas universidades, caminho para construir uma nova direção para a UNE e o movimento estudantil. Muitos dos colegas estão em suas primeiras assembleias, passagens em sala, ocupações, panfletagens, piquetes, passeatas e comandos de greve. A retomada da organização é um dos avanços mais positivos do atual momento. Nas salas de aulas, nas assembleias, nas ruas, nas praças, novamente está presente o movimento estudantil.  Esse saldo político e organizativo também deve ser avaliado como um avanço histórico do movimento estudantil de São Paulo e nacional.

 

Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu, aqui está presente o movimento estudantil

 São momentos históricos, com a ocupação da reitoria, o movimento estudantil nas ruas fechando a Avenida Paulista e a gigantesca marcha estadual unificada impondo o recebimento de uma comissão pelo governo do estado. O apoio popular nas ruas e nos ônibus mostrou que a população trabalhadora repudiou a repressão da PM e defende a educação junto com a juventude. Conquistamos alguns avanços e ainda temos fôlego para arrancar mais, principalmente nossas reivindicações centrais na assistência estudantil, no acesso e na permanência na USP, bem como contra o autoritarismo da PM.

A verdade é que, se a Reitoria e o governo do Estado de São Paulo acreditavam que íamos recuar, nós estamos impondo que eles tenham que se justificar e inventar negociações para nos responder. Precisamos aproveitar esse espaço para exigir que as negociações sejam reais e, com a força da nossa mobilização, arrancar o acordo necessário em unidade com técnicos, professores, terceirizadas de todas as estaduais paulistas. Bem como em unidade com a luta de técnicos das universidades federais que exigem de Lula o cumprimento dos acordos da última greve.  Para isso, é preciso apostar na unidade e massificar ainda mais a nossa greve, dar continuidade a forte marcha do dia 20/05, realizando articulações para uma nova jornada estadual de lutas e criar condições e unidade para mais a frente realizar uma greve geral contra a extrema direita de Tarcísio, Nunes e Aluísio. Para isso propomos:

– que DCE, SINTUSP e ADUSP articulem a unidade na luta com demais sindicatos, comandos de greve das federais e as centrais sindicais e movimentos feministas, indígenas e populares, para uma nova jornada de lutas estadual.

– que DCE, SINTUSP e ADUSP conversem com a CUT, CTB, Força Sindical, COEDUC, Metroviários, Petroleiros, Comandos de Greve das federais, os moradores do Moinho, entidades da cultura:  a realização de uma plenária unificada na quadra dos bancários tal como se fez na luta contra as privatizações de Tarcísio.

– Dialogar com centrais e movimentos sobre a possibilidade de um dia de panfletagem, atrasos de turno, assembleias nos locais de trabalho e uma nova passeata na Avenida Paulista, com parte de uma plano de lutas que crie as condições para uma Greve Geral estadual contra a extrema direita em São Paulo.

 

Ventos da USP, Unesp e Unicamp chegando às federais

Os ventos da USP, Unesp e Unicamp começam a influenciar as lutas nas federais. Há debates, inquietação em alguns cursos. A ocupação da USP é exemplo de luta. A repressão pela PM tá na boca do povo e causa comoção. Ocorrem protestos em algumas universidades, na UFRJ ou UFPA. Os técnicos administrativos estão há vários meses em greve, exigindo que o acordo firmado seja cumprido pelo governo Lula, e merecem apoio estudantil.

O movimento estudantil das federais tem muitas reivindicações não atendidas: verbas para garantir assistência estudantil, aumento das bolsas e seus valores, moradia e bandejão, conserto de elevadores e infraestrutura, iluminação dos campi, dentre outros aspectos, como melhoria de laboratórios, bibliotecas e restaurantes universitários. Para isso, temos de exigir de Lula o fim do arcabouço fiscal e do Plano Safra, que destina bilhões aos banqueiros e ao agronegócio. Defendemos verbas para a educação e os serviços públicos, e não para empresários e golpistas, além da taxação dos bilionários e das multinacionais. Assim, nunca faltariam verbas para creches no campus e para pautas feministas, antirracistas, anticapacitistas e LGBTQIA+.

 

A política da majoritária da UNE não está à altura da luta estudantil 

“No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho” 
Carlos Drummond de Andrade

 

Os setores da direção majoritária da UNE que hoje atuam na USP – UJS/PCdoB, Afronte/Resistência-PSOL e Paratodos/PT – começaram a greve já buscando encerrá-la sem garantias de uma negociação que fosse proporcional às nossas exigências. Expressão disso foi que, infelizmente, o CA da Faculdade de Economia, Contabilidade e Atuária (FEA), único dirigido pelo PT na USP Butantã,  foi o primeiro a votar pelo encerramento da greve, enquanto recebia diversas críticas dos estudantes pelo seu método antidemocrático. Na mesma semana, o Afronte fazia movimentações no mesmo sentido na Faculdade de Educação (FE). 

Essas organizações que hoje compõem o governo capitalista de Lula, lamentavelmente assumiram a posição de ser bombeiros das direções de curso. Exemplo cabal disso foi a postura da direção majoritária do CAPPF (Afronte e UJS) ao servir de correia de transmissão da direção da Faculdade, abandonando a independência da entidade perante a instituição, num método que visava amedrontar os estudantes a partir de ameaças de reprovação massiva caso não encerrássemos a greve. Já na terceira semana, não construíam as principais atividades do Comando, nem os atos e assembleias do movimento e se limitavam a conversas a portas fechadas com a Direção. Quando decidimos ocupar a Reitoria, depois de votação na Assembleia Geral, a posição do Centro Acadêmico foi semear medo nos estudantes para que não ocupassem e deslegitimar o movimento de ocupação.

Depois de fazerem manobras a fim de garantir às pressas uma assembleia de votação sobre o futuro da greve, numa dinâmica evidente de tentativa de terminar a greve na FE, quando viram que não venceriam a votação, tentaram adiar a assembleia seis minutos antes do início. Através da mobilização estudantil, garantimos que a assembleia acontecesse e deliberasse sobre a continuidade da greve! Reivindicamos que, corretamente, os companheiros do Afronte e PT presentes na Assembleia mudaram sua posição e votaram a favor do seguimento da greve. Assim se pode garantir atividades melhores em unidade na luta.

No entanto, a tentativa de enfraquecer a greve ainda está presente, sobretudo nas manobras realizadas por estudantes da pós ligados ao campo lulista, que infelizmente se auto intitulam Representantes Discentes, mesmo sem nenhuma votação que o legitime, para, com isso, pressionar pelo fim da greve a partir da pós-graduação. É preciso dizer que era necessário que pudéssemos contar com a unidade na Faculdade de Educação para que batêssemos mais fortemente no nosso inimigo comum. A posição desesperada de encerramento da greve escancara a política daqueles que já perderam a sua independência e atuam vislumbrando apenas a institucionalidade do governo federal. O fato é que a política de conciliação de classe da frente ampla de Lula e Alckmin, do PT, PCdoB, PSOL, REDE, leva a uma aliança com patrões e a uma governabilidade conservadora que garante acordos com o centrão e  governadores como Tarcísio de Freitas. Por isso a luta contra ele fica em segundo plano. Uma evidência da importância de construir outra direção para a entidade que nos representa, que esteja a serviço da luta e dos estudantes. 

   Nesse sentido, achamos que foi equivocada a posição dos colegas do Juntos e do Correnteza, no comando de greve da USP, realizado na EACH, voltarem contra a exigência de que a UNE construa uma jornada nacional de lutas nacional. Felizmente esses colegas, que impulsionam a oposição a direção majoritária da UNE, mudaram de posição e aceitaram essa proposta na assembleia geral do dia 26. Por isso propomos:

  • Exigir que a direção majoritária construa a greve efetivamente na USP e nos cursos onde atua. E que defenda todos os alunos grevistas contra qualquer retaliação e suspensão do calendário acadêmico enquanto ocorra a greve e que todo debate de reposição só ocorra após a greve.

CONEG da UNE: votar jornada de lutas!

O próximo CONEG da UNE, em São Paulo, é a oportunidade de mudar esse cenário de marasmo e imobilismo na UNE e ter apoio nacional para nossa luta na USP. Na assembleia estudantil da USP realizada ontem, 26/05, aprovou-se que nossa representação nesse fórum da UNE leve a proposta de uma jornada nacional de lutas. É o momento de unificar a luta estudantil em todo país e avançar em nossas reivindicações, além de estar ao lado dos professores e servidores que neste momento estão em greve na USP, Unicamp e Unesp e na base da Fasubra.

Batalhamos para unificar o movimento estudantil em torno de reivindicações básicas, como verbas para assistência estudantil (bolsas, moradia, bandejão, transporte), cotas trans, vestibular indígena, concursos públicos, apoio aos técnicos administrativos e combate à repressão contra os estudantes da USP. Uma das datas para essa jornada poderia ser o dia 09/06 que está sendo articulada por movimentos em SP.

Os colegas do Novo MEPR realizaram uma ação equivocada na assembleia do DCE

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando”.
Thiago de Mello

 

Acreditamos que o central para a greve é a unificação dos estudantes e com a classe trabalhadora, para massificar a luta. Justamente por isso, gostaríamos de dialogar com colegas do Novo MEPR. Os colegas são muito ativistas e estão nas lutas de forma combativa, o que nós reconhecemos. Mas muitas vezes possuem posições que dificultam a unidade. Um exemplo foi a intervenção na última assembleia geral do DCE realizada na FAU, produzindo muita dispersão no espaço. Igualar o DCE da USP e as forças que o dirigem com a PM e o governo Tarcísio é um erro grave. Se pode discordar da política, da ação, criticar erros na ocupação ou dos métodos das forças que compõem o DCE, mas não dá pra fazer tal paralelo com o aparelho repressivo do estado burguês jamais. Alguns colegas próximos a esse coletivo quase realizaram agressões físicas contra um estudante da direção do DCE, o que foi equivocado. Por fim, os camaradas ficaram à parte da assembleia, deslegitimando o espaço. Assim não podemos avançar. O caminho é da unidade na luta e não da divisão. E as divergências e críticas devem ser feitas, de forma sincera, aberta e honesta, visando melhorar o movimento e garantir nossa vitória. Acreditamos que é necessário debater coletivamente esses equívocos e rever essas posições. É necessário que o ativismo mais combativo não se perca nessas atitudes. Somente assim podemos construir uma greve combativa na USP.

 

Um diálogo com nossos companheiros da gestão do DCE Livre da USP e a necessidade de uma construção democrática da greve

“Um passo à frente
e você não está mais no mesmo lugar” 
Chico Science e Nacão Zumbi

 

Gostaríamos de iniciar essa discussão evidenciando que a juventude Vamos à Luta/CST foi parte da chapa que venceu as eleições do DCE (Correnteza/UP, Juntos/MES-PSOL, UJC/PCBR e Rebeldia/PSTU) e que também se expressou no último congresso da UNE. Na USP, decidimos não compor os cargos da gestão, pois somos um coletivo novo na universidade.  Apesar de não fazermos parte da gestão, a apoiamos e buscamos o diálogo fraterno constantemente. Os independentes que estava na USP naquelas eleições, e constroem esse manifesto, também votaram nessa chapa. Por isso, acreditamos ser importante destacar que o método apresentado na condução das assembleias de greve não responde a uma política democrática, que tem como objetivo garantir o fortalecimento da luta e sua massificação. 

Reivindicamos as Assembleias Gerais dos Estudantes como espaços máximos de deliberação e formação do movimento estudantil na USP e em qualquer universidade. Por essa razão, nos parece problemático que a política da direção do DCE seja inscrever os setores que estão na gestão antes de anunciar que as inscrições estão abertas e deixar as organizações menores e independentes para o final, quando sabem que a assembleia estará esvaziada, por uma questão objetiva – sempre termina depois das 22h. Além disso, em duas assembleias seguidas, nossas propostas não foram lidas e encaminhadas pelo DCE por, evidentemente, não existir acordo com a direção. No mesmo sentido, na assembleia da ocupação, defendemos que fosse encaminhada uma Comissão de Mobilização para massificar a ocupação, que os camaradas não queriam que fosse sequer apresentada. Não tensionamos por se tratar de assembleias difíceis, algumas cercadas pela PM. Não tencionamos para garantir que a assembleia ocorresse de forma mais rápida e para assegurar que houvesse unidade naquelas circunstâncias. Por outro lado, porque também entendemos que não podemos realizar uma demarcação permanente com propostas para se diferenciar como fazem os colegas do Faísca e Já Basta muitas vezes. 

Primeiro, é preciso destacar o óbvio: mesmo quando não há acordo com as propostas de alguma organização ou estudante, é democrático garantir que elas sejam apresentadas e votadas pelo conjunto da Assembleia. Vemos com muita preocupação o ocorrido da gigante assembleia do dia 11/05. Estávamos inscritos no final. Antes de nós e outros companheiros falássemos, a mesa da assembleia propôs que fosse realizada a votação da continuidade da greve e do calendário da semana antes que grande parte dos estudantes fosse embora, para ter mais legitimidade. Concordamos por confiar que os companheiros abriram espaço para destaques e alterações no final da Assembleia, como eles haviam colocado. Infelizmente, na hora de encaminhar, suprimiram parte das nossas propostas e tentaram impedir que nós fizéssemos a defesa de nossas propostas. Por fim, a votação foi garantida de forma mediada e interpretada pela mesa.

Felizmente a assembleia geral do dia 26/05 já foi melhor, com uma sistematização mais democrática e permitido as defesas, sem a mesa interpretar nossas propostas. 

Nossa proposta:

  1. Iniciar a assembleia com 15 minutos de tolerância (atualmente as assembleia iniciam 1 hora depois do horário marcado);
  2. que se mantenha a sistematização e defesas tal qual na assembleia do dia 26/05, evitando os problemas democráticos das anteriores;
  3. garantir as saudações principais, das que tiverem mais peso, no início: parlamentares, figuras públicas, sindicatos, centrais, movimento em luta, sem que isso tome mais do que meia hora da assembleia (demais presenças anunciadas pela mesa). Do mesmo modo para os informes;
  4. Garantir que as sistematização do DCE faça seu trabalho enquanto estão acontecendo as falas, para que a assembleia não tenha que ser interrompida. Assim evitaremos a dispersão e que a base fique aguardando os acordos e desacordos da direção do DCE. 

 

Um diálogo sobre a jornada de lutas unificada e criar condições para uma greve geral estadual em São Paulo

Na última assembleia estudantil da greve da USP, as forças que compõem a direção do DCE (Correnteza/UP, Juntos/MES-PSOL, UJC/PCBR e Rebeldia/PSTU) não foram favoráveis a proposta de um plano de lutas que ligasse uma jornada estadual de mobilização unifica a um processo de construção mais adiante de uma greve geral estadual contra a extrema direita em SP. Um setor da direção diretamente defendeu contra (Correnteza/UP e UJC/PCBR) e outro se absteve (Juntos/MES-PSOL e Rebeldia/PSTU). A defesa contrária da Correnteza e UJC foi baseada em que não podíamos convocar uma greve geral desde a USP e que temos de nos preocupar com as pautas locais. Em primeiro lugar queremos dizer que concordamos com esse argumento e eles não podem confundir esse debate. Quem convoca uma jornada de lutas unificada são um conjunto de movimentos e entidades, e uma greve geral são as centrais sindicais e seus sindicatos. As pautas da USP são o objetivo central da luta estudantil e nosso foco e nunca duvidamos disso. E felizmente estamos avançando em nossa greve. Mas achamos que a luta unificada não enfraquece a greve da USP por nossas pautas locais. Ao contrário, quanto mais apoio e unidade do conjunto da juventude e da classe trabalhadora mais força teremos na USP. Outros argumentos da Correnteza é que não se pode “exigir” das direções e nem pensar que post no instagram resolve. Concordamos que “post” por si só não resolve. A agitação e propaganda nas redes digitais é importante mas não soluciona nossos problemas. Discordamos que não se pode “exigir” das grande entidades e suas direções. Avaliamos que é importante batalhar para que a UNE, UBES, CUT e CTB apresentem apoio ativo a nossa luta e jornadas de lutas pelas pautas dos estudantes ou da juventude como o fim da 6×1 ou apoio a protestos feministas. Aliás é obrigação das entidades históricas da classe trabalhadora e da juventude a organização dessas lutas. Por isso nossa defesa foi propor para as centrais sindicais e sindicatos essa ideia de uma jornada das lutas estadual e ao mesmo tempo propor uma articulação visando construir condições para uma greve geral. A luta da USP pelas bolsas, CRUSP, cotas trans e PCD e vestibular indígena se fortaleceria se outras categorias também estivessem em luta, como o vimos no dia 20 de maio onde sindicatos e outros movimentos se unificaram. Apelamos que a direção do DCE reflita e mude de posição, e que possamos garantir mais unidade da juventude com a classe trabalhadora no estado de SP, propondo esse plano de luta para as centrais sindicais.

 

Um diálogo com nossos camaradas do Correnteza/UP

Tendo esse debate em vista, queremos colocar uma nuance que nos parece importante com os camaradas do Correnteza/UP e UJR, camaradas lutadores e abnegados militantes da greve e outras batalhas com as quais temos muitas ações em comum. Nas últimas semanas, vocês agitaram que não interessava mais negociar nada na USP, que tudo se resumia a ocupar o palácio de Tarcísio. Um discurso que foi o oposto da defesa de vocês na assembleia do dia 26/05.

Concordamos com a necessidade de esmagar Tarcísio e sua corja e estamos junto com vocês nessa luta e por isso apresentamos um plano de lutas e uma estratégia para isso na última assembleia. Mas temos nuances sobre como foi construída essa ideia por vocês. Primeiro, porque em alguns locais da base essa proposta de que não “interessa mais negociar nada na USP” não ajudou na unidade dos estudantes e nem com as demais categorias que nos apoiam. Por razões óbvias a negação da luta e negociação local não foi bem vista. Negociar nossas pautas com a reitoria segue sendo um objetivo central da nossa greve. Segundo, que a proposta de ocupação do palácio foi falada publicamente em todos os locais possíveis, o que obviamente não ajuda nenhuma ocupação. Por outro lado, essa linha não foi aprovada nem na Assembleia Geral e nem no Comando da Greve, o que requer um maior cuidado da parte de vocês que são a maior força do DCE da USP. Esperamos que vocês reflitam e mudem de postura para um melhor andamento da greve e de nossa unidade, bem como acerca da construção combativa de nossa greve.

O que nos preocupa é que vocês que agitaram a necessidade de derrotar Tarcísio com centralidade até a última assembleia tenham sido os primeiros a se opor, de forma até desrespeitosa, a nossa ideia de buscar as centrais sindicais para propor uma jornada de lutas estadual rumo a construção de uma greve geral estadual. Ora, para derrotar o governador, o patrão do DESreitor, devemos tentar uma forte luta estaduais, dentre elas uma estratégia que vise criar condições para uma greve geral. Não é razoável que se menospreze a necessidade de construção de uma Greve Geral no Estado de São Paulo. Para nós, é necessário enfrentar Tarcísio em unidade com dezenas de milhares de pessoas nas ruas e ações nos locais de trabalho. 

Além disso, queremos insistir que foi incorreto o discurso de que “agora nossa conversa não é mais com Aluísio e sim com Tarcísio”. Queremos enfrentar Tarcísio em unidade com a classe trabalhadora, mas de nenhuma maneira, isso pressupõe abandonar a luta por uma mesa de negociação na USP. Enfrentar Tarcísio e a extrema direita na USP é, de forma direta, enfrentar Aluísio e seus capachos da Reitoria. Dizer que a greve agora serve única e exclusivamente para derrubar o governo é equivocado. O intuito de radicalidade que vocês apresentam é legítimo e nós o compartilhamos. Mas nossa combatividade significa manter as pautas que estamos travando aqui, mobilizando estudantes que querem, antes de qualquer coisa, ter acesso à alimentação, moradia e Permanência Estudantil e, assim, derrotar a extrema direita em nossa casa e de forma permanente e combinada lutar contra Nunes, Tarcísio e Trump. Esperamos ter acordos quanto a isso com nossos camaradas do Correnteza e UJR nos próximos fóruns da greve.

 

Unidade para derrotar Aluísio, Tarcísio e a política da extrema direita 

As reflexões aqui contidas são fruto de nossa atuação militante na greve, piquetando as salas dos cursos, realizando assembleia de base e reuniões com técnicos e professores de luta, tudo temperado pelo enfrentamento às bombas e cassetetes da PM, e as gigantes passeatas. Para nós, a saída é buscar mais estudantes e o apoio dos trabalhadores da USP e de fora dela, para garantirmos nossa vitória pela Permanência Estudantil e contra o autoritarismo e repressão. Acreditamos que é possível e necessário construir uma Greve Geral estadual para colocar Tarcísio e sua corja contra a parede; só a luta é capaz de arrancar nossos direitos e exigências! Do mesmo modo exigir da UNE uma jornada nacional de lutas em todo país para colocar a juventude em luta do Acre ao Rio Grande do Sul. 

Chamamos você, estudante que está atuando conosco, a se somar as propostas desse manifesto formado por independente e a Juventude Revolucionária Vamos à Luta e construir conosco essa greve histórica e os próximos capítulos do novo movimento estudantil que surge metendo o pé na porta, derrubando grandes que nos aprisionam, enfrentando a repressão da PM e o seu gás asfixiante. Vamos colocar pimenta nos olhos de Tarcísio e Aluísio e deixá-los sem dormir de medo. Faria Lima em pânico com a luta da juventude de SP. Como disseram Marx e Engels, no Manifesto Comunista: Nada temos a perder, a não ser as correntes que nos aprisionam. Temos um mundo a ganhar. Quem viver, verá!

“Toda a cidade vai cantar
O cancioneiro popular de tempos atrás
Que já não se faz
E chega a me dar uma emoção
De contemplar a multidão
Cantando pelas ruas principais” 
Eduardo Gudin



27 de maio de 2026

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