grande greve no IAG – Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP
Comando de Greve do IAG
Dentro do contexto das ciências exatas, há um pensamento de que acadêmicos e estudantes desta área não são politizados e mobilizados. Contudo, a construção do movimento estudantil durante a greve no IAG escancara o tamanho equívoco desse tipo de raciocínio. Em um contexto do qual o atual Diretor da unidade, Professor Edmilson Dias de Freitas, também recebe o cargo de Chefe de Gabinete do DESReitor na reitoria, não foi o suficiente para amedrontar os discentes, pelo contrário, incendiou a todos, pois ficou de entendimento pela comunidade que há uma “liberdade” do Diretor em tentar ameaçar e assustar não só os alunos, mas outros órgãos da instituição, atitudes que reforçam o discurso da reitoria atual e não cabem a um diretor de unidade.
Mesmo neste cenário, os estudantes mostraram seu poder e puderam dar o recado que são vanguarda e têm a capacidade de transformar os espaços do instituto em ambientes políticos. Pela primeira vez na história do IAG, foram realizados piquetes, concentrações grandes para os atos e adesão de mais de 30% do corpo discente nas atividades propostas. Manifestos silenciosos com placas, cartazes reflexivos espalhados pelos corredores e colados nas paredes, evidenciam a luta construída no local.
Atualmente, o IAG passa por um processo de negação da Diretoria ao diálogo, onde também é a responsável por barrar atividades como o Café Preto, com a justificativa de má comunicação em reservas dos espaços físicos. O CAIAG é um dos únicos CAs da USP do qual não possui autonomia sobre seu espaço, ao nível de não ter o fornecimento das chaves; O único instituto do qual os estudantes não podem visitar aos finais de semana e feriados (pois é fechado para o público) e não ter ainda a garantia de que as salas serão mantidas ou realocadas, e como essa realocação ocorrerá.
A disputa política dentro do instituto em relação à alta burguesia foi um embate de guerra fria, do qual colocou em xeque as boas relações que tanto cultivam na unidade, levando às claras que na verdade, há uma grande cultura de perseguição aos grevistas e baixa compreensão da importância das políticas de permanência dos estudantes. Há também a disseminação de discursos falsos por parte da Diretoria numa tentativa de desmobilizar e desunificar os estudantes com os professores e funcionários, instaurando um clima de verdadeiro caos pelos corredores, e dificultando a comunicação entre os 3 setores. Enquanto a Diretoria defende que as aulas do IAG são de ponta e um diferencial para a formação de cada um, e que portanto deveriam voltar, os estudantes continuam comendo larvas em seus bandejões, dormindo embaixo de mofo e goteiras, com um aumento de auxílio que não paga uma passagem de ônibus ou que não paga um aluguel na Capital.
Contudo, vale ressaltar que se todo esse debate foi levantado no instituto, movimentando discussões entre os 3 setores, é justamente pela mobilização intensa e justa dos estudantes. Uma das maiores conquistas do IAG até o momento foi a capacidade de se organizar e de levar uma greve longa tão longe, abrindo as portas dos nossos debates internos a nível USP. O IAG é motivo de muito orgulho para todos os alunos, essa luta trouxe à tona o sentimento da família IAGeana, com o princípio de manter o espaço do Centro Acadêmico, e empatia pelos colegas que são desfavorecidos economicamente. Laços foram criados e o clima amistoso foi retomado, todos unidos por uma única causa, e aprendendo a ser coletivo de forma política. Os ingressantes, em especial, mesmo sendo ameaçados pela pró-reitoria de graduação a serem jubilados, estão firmes. E isso também é motivo de orgulho.
A Greve no instituto abriu portas para todos enxergarem a realidade da universidade, mostrando a realidade dos pesquisadores e formando pessoas das quais aprenderam sobre política, pessoas afim de entrar em suas Representações Discentes, direções do Centro Acadêmico para fazer a diferença, entendendo que no final, é tudo pelos estudantes e uma condição digna de sobreviver na Universidade de São Paulo.
Além de tudo isso, uma janela se abriu para todos visualizarem de fato, o sucateamento da educação, que vem desde o ensino básico até o ensino superior. Muitos dos ingressantes já enfrentaram o desmonte no ensino médio, e isso impacta diretamente na universidade. Contudo, de forma amistosa e organizada, vai se formando uma nova vanguarda de militantes e abrindo com os dois pés, as portas do diálogo do instituto. Lutamos por amor ao IAG e a ciência.
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Seguir o exemplo da USP e das estaduais paulistas! Que a UNE convoque jornada nacional de lutas!
Os ventos da USP, Unesp e Unicamp começam a influenciar lutas nas federais. Há debates, inquietação em alguns cursos. A ocupação da USP é exemplo de luta. A repressão pela PM tá na boca do povo e causa comoção. Ocorrem protestos em algumas universidades, na UFRJ ou UFPA. Os técnicos administrativos estão há vários meses em greve, exigindo que o acordo firmado seja cumprido pelo governo Lula, e merecem apoio estudantil…
Nacionalmente, os setores da direção majoritária da UNE se limitam a dar apoio formal ao movimento, sem nacionalizar a solidariedade….
CONEG da UNE: votar jornada de lutas!
O próximo CONEG da UNE, em São Paulo, é a oportunidade de mudar esse cenário de marasmo e imobilismo na UNE. É o momento de unificar a luta estudantil em todo país e avançar em nossas reivindicações.
Vamos à luta e Independentes
