Precisamos de uma frente de esquerda independente nas lutas e nas eleições!

Com a aproximação das eleições, o debate sobre os rumos do país ganha força nos locais de trabalho, estudo e moradia. Enquanto apoiamos as greves e mobilizações em curso dos estudantes, servidores, indígenas e trabalhadores que lutam pelo fim da escala 6×1, é necessário conversar sobre uma alternativa política. Sabemos que muitos de nossos leitores pretendem votar em Lula e na frente ampla. Entendemos essa posição, mas temos uma visão diferente e queremos apresentar nossos argumentos.

Lula abraça Trump…

A reunião entre Lula e Trump levanta questões que não podemos ignorar. Trump é o líder internacional da extrema direita que realiza um holocausto em Gaza por meio dos nazistas de Israel e que bombardeia o Irã. Trump aplica uma linha agressiva contra a América Latina, marcada por bombardeios e invasões à Venezuela, ameaças contra Cuba e tarifaços para ampliar a influência norte-americana sobre o continente.

Não há conciliação possível com a extrema direita. Por isso, a reunião de Lula com Trump foi um erro. Ainda mais em um momento em que recursos estratégicos do país, como as terras raras, tornam-se alvo dos interesses norte-americanos, simbolizados pela venda da Serra Verde para a USA Rare Earth.

Contra a extrema direita, o caminho é o que está sendo trilhado pela classe operária, pelos camponeses e pelos povos indígenas da Bolívia, que enfrentam o governo assassino de Rodrigo Paz. As mobilizações da Central Obrera Boliviana apontam a saída: a ação direta da classe trabalhadora e dos setores populares contra Trump e seus aliados.

Mais ameaças dos EUA ao Brasil

Após a reunião entre Lula e Trump, os EUA avançaram na pressão sobre o Brasil ao classificar PCC e CV como organizações terroristas. Embora sejam grupos criminosos com os quais nada temos em comum, a experiência histórica mostra que a “guerra ao terror” e a “guerra às drogas” dos EUA servem para intervenções e ampliação da influência imperialista. Defender a soberania nacional significa rejeitar qualquer ingerência externa e lutar contra a dominação dos EUA, ao mesmo tempo em que avançamos nas reivindicações econômicas e sociais da classe trabalhadora.

40 horas já, com folga no final de semana

A vitória contra a escala 6×1 tem importância histórica. Representa um avanço contra jornadas exaustivas e só foi possível graças à mobilização dos trabalhadores, do VAT, das organizações de esquerda e de diversas lutas e greves, como a da PepsiCo. A batalha da 6×1, que ainda está em curso, deixa uma lição fundamental: se o povo se organiza e luta, é possível vencer.

Mas essa vitória deve ser vista como um ponto de partida. Precisamos exigir de Lula que as 40 horas sejam imediatas e que a folga seja obrigatória no final de semana. Devemos exigir da CUT, CTB, Força Sindical e UGT uma jornada de lutas para evitar qualquer retrocesso no Senado (ver páginas centrais), além de manter o projeto original do VAT, de Rick e Erika Hilton, de 36 horas semanais e escala 4×3, unificando essa luta com a juventude.

Seguir o exemplo da juventude da USP

A greve estudantil na USP já dura mais de um mês. É uma luta que enfrenta o projeto privatista de Tarcísio, Nunes e da reitoria, mobilizando ocupações, atos de rua e a resistência contra a repressão policial, além de se unificar com a Unesp e a Unicamp. É hora de ampliar a mobilização para conquistar reivindicações como aumento da assistência estudantil, cotas trans e para PCDs, vestibular indígena e melhores condições de ensino. Diante da postura passiva da direção majoritária da UNE, o próximo CONEG deve aprovar uma jornada nacional de lutas capaz de articular estudantes e servidores em greve nas federais, fortalecendo a mobilização nacional em defesa da educação pública. Exigimos que UNE, UBES, CNTE, FASUBRA, ANDES e SINASEFE garantam essa unidade nas ruas.

Frente de Esquerda: UP, PSTU, PCB e demais forças

Em nossa visão, não há saída para o povo trabalhador por meio da conciliação com banqueiros, empreiteiras, agronegócio e grandes empresários, como faz Lula e a frente ampla. A saída deve vir da organização independente da população trabalhadora, da mobilização social e da construção de um projeto socialista que esmague a extrema direita nas ruas. Pela unidade das esquerdas socialistas e comunistas nas lutas e nas eleições, numa chapa unificada sem patrões, que agrupe UP, PSTU, PCB, PCBR e outras organizações, como o MRT e a SoB.

Chapa coletiva de Samara, Hertz e Edmilson

A classe trabalhadora precisa de uma referência própria, independente dos patrões, do mercado financeiro e do imperialismo, e que seja consequente e radical contra a extrema direita e seus governadores. A CST defende a unidade das lutas e a construção de uma frente de esquerda que unifique Samara, da UP, Hertz, do PSTU, e Edmilson, do PCB, além de demais forças à esquerda da frente ampla, em uma chapa coletiva.

Uma frente que defenda as pautas das greves da USP e das estaduais paulistas, da FASUBRA; que expulse a Bela Sun e a Cargill da Amazônia; que defenda a duplicação do valor do salário mínimo, as 36 horas semanais e a jornada 4×3, a taxação dos bilionários e das multinacionais, o não pagamento da dívida, o fim dos feminicídios e das operações policiais nas favelas, a reforma agrária, as terras raras e a soberania nacional, a estatização do sistema financeiro, dentre outras pautas.

A construção de uma frente de esquerda independente é uma necessidade diante do avanço da extrema direita internacional, da ação do imperialismo e da urgência de construir um projeto combativo para a revolução brasileira e latino-americana. A CST defende um governo da classe trabalhadora, sem patrões, e um Brasil Socialista, rumo a Federação das Repúblicas Socialistas Latino Americanas.

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