Flotilha Global Sumud parte rumo a Gaza
Por Lorena Fernandes – Coordenação da CST
A nova Flotilha Global Sumud partiu de Barcelona rumo a Gaza no dia 12 de abril. É a
maior Flotilha já organizada com esse objetivo, expressando o crescimento da
solidariedade à causa palestina entre os povos ao redor do mundo. São cerca de 100
embarcações, de diversas nacionalidades, que atravessam o Mediterrâneo com o
objetivo de chegar Gaza com ajuda humanitária e denunciar a situação de genocídio
vivida pelo povo palestino.
Essa iniciativa se insere em um contexto de amplas mobilizações internacionais que
vêm se fortalecendo desde 2023, com milhões de pessoas nas ruas em diferentes
países, em todos os continentes. A Flotilha é uma forte expressão desse movimento.
A Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores (UIT-QI) integra essa
missão internacionalista, com o envio de dirigentes do nosso partido irmão na Argentina, o Izquierda Socialista: Mônica Schlotthauer, deputada federal, e Eze Peressine, coordenador da Flotilha no país, em sua segunda participação. Também
participa nosso militante da Turquia, Gorken, no apoio em terra. No Brasil, a
companheira Lorena Fernandes, da CST, integra a Global Sumud Flotilha na
divulgação e na construção das mobilizações de apoio. Saudamos com orgulho a
delegação brasileira, que conta com o ativista Thiago Ávila.

O genocídio continua e o “acordo de paz” de Trump é uma farsa
O chamado acordo de paz promovido por Donald Trump se mostra totalmente falso,
pois os ataques a Gaza não acabaram: seguem os bombardeios, as ações de drones
e incursões militares.
Gaza resiste com sua infraestrutura colapsada, escassez de alimentos e um sistema
de saúde em situação crítica. Dados recentes, divulgados pelo Al Jazeera, indicam
que mais de um milhão ainda enfrentam insegurança alimentar e quase duas mil
pessoas estão em níveis extremos de fome. Ao mesmo tempo, a violência se
intensifica na Cisjordânia, com aumento dos ataques de colonos sionistas à população
palestina.
Enquanto isso, o imperialismo estadunidense segue dando sustentação política e
militar ao Estado Nazi-Sionista de Israel, que amplia seus ataques na região, como no
Líbano. As recentes agressões ao Irã e o recuo estrondoso de Trump mostra que a resistência dos povos pode frear os poderosos. É justamente essa resistência, que se
expressa nas ruas, nas mobilizações e também em iniciativas como a Flotilha.
No Brasil, enfrentar o PL de Tábata que tenta silenciar críticas ao Estado Nazi-Sionista de Israel

O PL 14/24, da deputada Tábata Amaral (PSB) pretende inserir as críticas ao Estado
nazi-sionista de Israel como se fossem antissemitismo. Ou seja, tenta embaralhar propositalmente uma posição política, criando um instrumento para enquadrar e silenciar quem denuncia as barbaridades do Estado nazi-sionista de Israel.
Por isso, esse PL precisa ser enfrentado e exigimos seu arquivamento! Criticar Israel e
lutar pelo seu fim é lutar pela libertação de um povo, e exatamente por isso, é
totalmente legítimo. Afinal, é o próprio Estado de Israel que impõe ao povo palestino a
expulsão, segregação e o extermínio. A discriminação é a essência desse Estado.
Recentemente, Israel aprovou aplicar pena de morte exclusivamente a prisioneiros
palestinos! É disso que estamos falando. Não vamos nos furtar de denunciar. Inclusive, cresce no mundo o número de judeus que se colocam contra a existência desse Estado de apartheid, mostrando que a luta contra Israel não é contra o povo judeu, mas sim contra um projeto de colonização e extermínio.
As contradições do governo Lula
O governo Lula tem feito declarações públicas importantes. No entanto, há uma contradição entre discurso e prática. O Brasil mantém relações com Israel que, na
prática, não rompem com a dinâmica que sustenta o genocídio.
Um exemplo disso é que a Petrobrás segue exportando petróleo para Israel, alimentando sua máquina de guerra. Exigimos que o governo Lula pare imediatamente
esse envio. Nosso petróleo não pode servir para atacar o povo palestino! Que Lula envie nosso petróleo para o povo de Cuba que enfrenta um bloqueio severo neste
momento.
Ao mesmo tempo, chama atenção a realização de um seminário promovido pelo Itamaraty e pelo Ministério dos Direitos Humanos para rememorar o holocausto praticado contra o povo judeu, mas que, contraditoriamente, contará com a participação dos sionistas defensores do holocausto palestino. É inadmissível que o governo brasileiro ofereça esse espaço para os sionistas.
Fortalecer a mobilização e apoiar a Flotilha
O momento exige muita mobilização. A solidariedade internacional ao povo palestino tem se expressado de forma massiva pelo mundo, e a Flotilha Global Sumud é parte dessa dinâmica.
No Brasil, isso passa por construir ações concretas: debates, atos, moções em sindicatos e mobilizações nos locais de trabalho e estudo. A Freedom Flotilha de 2025
impulsionou protestos em diversos países, inclusive com uma greve geral na Itália e
contribuiu para fortalecer a luta.
É necessário retomar essa energia. Diante de um cenário em que se busca normalizar
o holocausto e silenciar críticas, a mobilização é uma ferramenta central. A luta do
povo palestino segue sendo o melhor exemplo de resistência e a solidariedade
internacional. A Global Sumud Flotilha é parte dessa luta. Palestina livre, do rio ao
mar!
