FORTALECER A GREVE NA FACULDADE DE EDUCAÇÃO
Beatriz Nespoli – Caloura da Pedagogia
Isadora Bueno – Estudante da Pós-Graduação
Na FE, a construção da greve, como em outros Institutos, tem sido atravessada por conflitos internos. Entre os estudantes que compõem o Comando de Greve e o Centro Acadêmico surgiram hostilidades e desgastes decorrentes da política do CAPPF, dirigido pelo Afronte (Resistência/PSOL), que buscou, desde a segunda semana, deslegitimar e encerrar a greve na nossa faculdade, como refletimos no nosso manifesto, escrito pela Juventude Vamos à Luta e independentes. Enquanto isso, os lutadores do Comando de Greve queriam fortalecer a greve com mobilização. Essas divergências não devem ser ocultadas, mas compreendidas como expressão das disputas legítimas presentes em qualquer movimento coletivo. Ainda assim, o peso dessas tensões recai sobre estudantes que já enfrentam jornadas exaustivas, incertezas acadêmicas e a pressão constante de sustentar uma greve em uma Universidade que frequentemente responde às reivindicações com silêncio, burocracia ou criminalização.
Também é necessário reconhecer que a tensão e a hostilidade não são fenômenos novos dentro do movimento estudantil. Pessoas racializadas, estudantes LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e outros segmentos historicamente vulnerabilizados convivem desde sempre com pressões, silenciamentos e violências que atravessam os espaços universitários. O que ocorre agora é que parte desse desconforto, antes vivido de forma individualizada, tornou-se coletivo e visível. A greve expõe contradições que sempre existiram e evidencia que a exclusão não é uma experiência excepcional, mas um elemento estruturante da universidade brasileira. A pressão sentida hoje por estudantes não nasce no Comando de Greve nem nas assembleias, mas vem de uma universidade historicamente construída para poucos.
A USP consolidou, ao longo de sua trajetória, um projeto marcado por mecanismos de exclusão social, racial e econômica, mesmo após importantes avanços nas políticas de acesso. Portanto, a luta que se expressa na greve é, em última instância, uma disputa sobre o significado da universidade pública. Quando estudantes exigem permanência, infraestrutura, participação política e respostas concretas da administração central, estão reivindicando algo fundamental: diálogo. E reivindicar diálogo é reivindicar democracia. A greve da Faculdade de Educação, com todas as suas contradições, desgastes e conflitos, tem sido também uma afirmação de que a universidade só poderá cumprir sua função social quando aqueles que a constroem cotidianamente forem efetivamente ouvidos. De nossa parte, seguiremos mobilizades para arrancar as vitórias necessárias para a permanência des estudantes!
